Octavio Antonio
- Katinguá – urgente – Chegou Buya, o homem-bomba, terror da facção Al-Jibeira.
- Bixin, quero chorar, não tenho lágrimas para marejar meus olhos. Se eu chorasse, talvez desabafasse o que me aperta o peito e não posso dizer.
- Buya, não me diga que você vai entregar os pontos.
- Bixin, como não chorar? Diante de tragédia, político é que faz média.
- Buya, os insensíveis, os caras-de-pau, nada fazem para evitar o mal.
- Bixin, é o que está acontecendo em Niterói.
- Buya, fizeram vista grossa para moradias precárias em cima de lixão. Isto significa que o Executivo da cidade não passa de um vilão. Buya nele!!!
- Bixin, dizem que desconheciam a comunidade, mas quem levou água e luz até lá? Fizeram-se de bonzinhos. O gato nunca sabe o que o rato sofre. Bixin, paro por aqui; não devo falar muito, senão serei inconveniente como sapo etílico ou indiscreto como carpideira de comício; colocar-me-ão abaixo do ponto de fusão do álcool.
- Buya, mas e o risco de vida dos cidadãos?
- Bixin, eles querem votos, pobre não dá lucro. Quem bota pobre pra frente é topada.
- Buya, você falou em solo condenado, à nossa volta já houve algo a respeito de obras em cima de depósito de resíduos, não houve?
- Bixin, houve e há em cima de nascente de águas. Tudo denunciado, tudo dominado.
- Buya, como andam os processos?
- Bixin, como outros tantos, parece que o gato comeu. Procuro, mas não vejo, não acerto no atacado e muito menos no varejo.
- Buya, o gato comeu? Então livremo-nos do gato? Isso é grave!
- Bixin, grave não, gravíssimo, mas no dia em que uma desgraça acontecer vão dizer que a culpa é de Deus.
- Buya, Deus, o culpado?
- Bixin, se a culpa não é do homem, então é de Deus. Essa é a tese maquiavélica.
- Argumente. O mundo será diferente.