Octavio Antonio
- Katinguá – urgente – Chegou Buya, o homem-bomba, terror da facção Al-Jibeira.
- Bixin, vamos falar de doces?
- Buya, essa não, você vai ouriçar os diabéticos e eles têm que controlar a taxa de glicose. O diabetes é uma doença silenciosa, mas é perigosa, deve ser tratada com muito cuidado e perseverança.
- Bixin, que nada, diabético é quem não é doce e emburrado é quem vive com o burro dentro. Vou parar, senão serei confinado em Fernando de Noronha, como o jornalista Hélio Fernandes, ou serei atirado à jaula com os leões.
- Buya, você está se referindo a alguma melação?
- Bixin, lembro de brigadeiro, você sabe como surgiu essa guloseima?
- Buya, já vem você com pilantragem.
- Bixin, fica frio. Na campanha para presidente da república, em 1945, o Brigadeiro Eduardo Gomes era candidato e gostava muito de um doce feito de leite condensado, manteiga e chocolate em pó. Atribuíram a esse quitute o nome de “brigadeiro”.
- Buya, muito oportuna essa explicação, pois logo teremos eleições presidenciais.
-Bixin, aproveitando-se dessa predileção de Eduardo Gomes, os marqueteiros criaram este bordão: vote no Brigadeiro, ele é bonito e solteiro. Tudo ia muito bem até que num comício, Eduardo Gomes disse que não contava com o voto da “malta” para se eleger.
- Buya, e daí?
- Bixin, e daí a oposição divulgou, maldosamente, que o significado da palavra “malta” era marmiteiro. Feito isso, baixou o porrete em cima do candidato, dizendo que ele era preconceituoso e não gostava de pobre. A versão falou mais alto que a verdade. O Brigadeiro, favorito nas pesquisas, foi derrotado nas urnas.
- Buya, que baixaria!
- Bixin, já vivi o bastante para identificar os lobos de temporada, os cardumes de traíras e as víboras de serpentário.
- Buya, suas idéias não levantam poeira, mas podem invadir corações.
Argumente. O mundo será diferente.