Ama-te o próximo como a ti mesmo, demonstração maior de amor à humanidade. Ódio, veneno do coração. Vingança, admissão de culpa. Deus por testemunha. Cristo por devoção. Hoje, não enxugarei gelo, não ensacarei fumaça. Parei para reflexão. Hora é hora. Não é antes nem depois da hora.
Próximo de sua visita ao Brasil, o Papa Bento XVI rasgou o verbo contra quem viola os sagrados sacramentos. Respeitamos o ponto de vista do Sumo Pontífice, pois, é o representante de Deus na Terra. Ele, só externa pensamentos divinos. Aqui no andar de baixo, nós, os tolos, perdemos tempo pensando em coisas insignificantes: a propina, a corrupção, o tráfico de influência.
O papa, não. Ele vai direto: o segundo casamento é uma praga. Data vênia, o cantor Roberto Carlos, o ex-jogador Pelé, o piloto Emerson Fitipaldi, todos foram recebidos no Vaticano e abençoados por João Paulo II, apesar de casados pela segunda vez. Isto mostra que, nem na Igreja o pensamento é único. Graças a Deus. Nada é pior que pensamento único.
O fundamentalista não só vê Deus em toda a parte. Ele vê também o demônio em toda a parte e sabe que entre o bem e o mal do dia a dia, o “Sattam” pode estar no casamento, no trabalho e etc.
Sua Santidade deveria ir mais fundo. Ou será que a segunda núpcias é mais maléfica que os procedimentos pernósticos que vivem à sorrelfa? Uma segunda união causa mal maior ao espírito, à sociedade e à doutrina cristã, que a exploração do homem pelo homem? E a pedofilia, como fica? Fica apenas no porto próximo. Ótimo que autoridades religiosas logo se pronunciaram: houve erro de interpretação: a praga deve ser entendida como ferida aberta, o que não refresca muita coisa.
Sendo o segundo casamento condenável e considerado uma ferida, imaginemos o que dirá o papa quando dirigir seu olhar para os ebolas que nos perseguem, os cupins que nos corroem e as saúvas que carregam o leite dos assistidos, a medicação dos necessitados; os chupa-cabras que ignoram a humilhação dos enfermos nos corredores frios de hospitais públicos. Do pó ao pó. E os que vivem a amealhar , mas que não deixam de receber a hóstia sagrada, o que são? Dimas,Gestas ou Judas?
Se o segundo casamento é uma praga, o que seria o desnaturado que assola a sociedade, tornando os pobres mais pobres, os ricos mais ricos e os miseráveis mais miseráveis. A tese reforça a afirmação de que não se pode confiar no amor. Assim, se inventou a escritura civil, esse contrato de prestação de serviços, que chancela a união entre homem e mulher e garante a mordomia do carcará.
Como praga, não conseguindo metabolizar nem redimir das minhas elucubrações, concluo que toda essa confusão é para dar serviço ao diabo. O inferno está superlotado de diabinhos ociosos. Solução: mão e voz poderosas de Deus. Já pensou no Sattam desempregado? Bagunçaria o coreto, sacudiria o teatro e, ao final, seria vítima do cadafalso. Este é o destino dos Sattam. O podre um dia se quebrará. Voltando ao casório, o jeito é não arriscar a segunda vez e se tornar um conformado infeliz. Deixa-se de ser praga ou ferida aberta, como queiram. Bravo, Bento XVI. Abstenho-me da comunhão. É a única das virtudes que a escola da vida me ensinou: ser coerente com minha consciência e com meu Senhor.
Argumente. O mundo será diferente.