Pelas lágrimas divinais, livrai-me dos invejosos e da mão dos criminosos e dos laços do satanás. Para botá-los pra traz, Deus na frente, paz na guia, Ó Santa Virgem Maria... Minhas idéias não levantam poeira e também não se aliam a Belzebu. Continuo enxugando gelo, ensacando fumaça, porém sempre segurando nas mãos de Deus. Diabruras nem pensar, que fiquem para os papagaios de palanque.
A história é implacável. Vive como uma sombra macabra a acompanhar o infeliz dr “Keromeu”. O “Katalão”, segue como velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar. Keromeu não. Ele sabe que o calor do fogo do inferno está impregnado no odor da sua pele. Não tem sossego, o cheiro do mal o persegue, sua bússola está sempre enlouquecida, não consegue apontar o norte.
O Keromeu morre, mas não se vai. Sua chancela continua assustando quem enxerga o vulto que o projeta na escuridão do mar, não só pelas suas maldades e perversões, mas pela lembrança da flagelo maldito. Antes que se transforme em fogo-fátuo ainda sofre reações antagônicas, tal qual aquele que teve seu esquife honrado por uma célebre cusparada.
Na faina política, desfilam garbosamente os trêfegos messias em distribuir blefes infames, os mais absurdos, aviltando adversários gratuitos e exigindo um pagamento indevido com sangue, suor e lágrimas. Se o estilo é o homem, o estilo também é a devassidão.
O brasileiro parece ter nascido sob a égide da “lei dos mais espertos”. A sua estratégia é variada; vai desde a técnica de arrebitar o nariz para demonstrar autoridade, quando na verdade, levanta o nariz para evitar que o enterre na flor do lodo, até a emissão de raio fulminante expelido pela língua do boi-tatá.
Por julgarmos-nos mais ladinos que os outros tornamo-nos verdadeiros indigentes de luxo, vestidos pelas estilistas da Daspu.
Os artífices do verbo, devorando o pão de cada dia que o diabo amassou, antigamente dizia-se com o pé, hoje, modernamente, dizem com o glúteo, para ser mais gentil. Usando delicadamente as palavras que a consciência não permite sonegar, não raramente chegam ao desencanto e à hostilidade dos incomodados.
A política dá voltas, com algumas tonalidades, e nesse gira-gira os presunçosos se julgam imbatíveis. Exemplos não faltam: já houve cadeira que teve de ser desinfetada em virtude do vestígio contaminado deixado por um ébrio deslumbrado, já houve coquetel distribuído a instituições de caridade, em função de derrota não esperada e, assim, segue a disputa desleal azeitada por uma obsessão patológica intrínseca ao “perfeito roedor de osso”.
Argumente. O mundo será diferente.