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Vamos caminhar com fé

No turbilhão de mensagens, congratulações, solidariedade, apoio e cumprimentos recebidos de leitores e amigos, recentemente, um de origem indiana, despertou nossa atenção:

O que for a profundeza do teu ser,
Assim será o teu desejo.
O que for o teu desejo,
Assim será a tua vontade.
O que for a tua vontade,
Assim serão os teus atos.
O que forem os teus atos,
Assim será o teu destino.

Logicamente o significado poético levanta o ego, estimula o prazer e ratifica a necessidade de ser útil nesta época de fraternidade e muita crocodilagem também. Mas causou emoção pela profundidade filosófica embutida nos quesitos: desejo e vontade.
Nestes tempos inglórios, onde a desilusão toma conta dos corações solidários, surge uma obra criativa desenterrada das cinzas do fogo voraz que avança sobre os ímpios. Alma não existe. Espírito não existe. Palavra de honra é coisa do passado longínquo. A hipocrisia faz parte da boa educação. Tudo é balela. Nem choro, nem querela. Sem lenço e sem documento. Que se dane o mundo, eu quero é rosetar.
Por mais que nos entreguemos às causas nobres, mais ficamos na mira dos sem berço, sem formação e sem princípios. Tentamos passar boas coisas para cabeças que de bom não têm nada. Vivem ao léu como vivem os espíritos errantes. Perdidos na escuridão não conseguem se localizar e não permitem que outros se localizem.. A penitência é longa e não querem abreviar. Tentam realizar coisas para as quais não possuem capacidade, então nada mais oportuno que no cabide se agarrar.
Caem do cavalo ao saltarem a baliza, não possuem técnica nem condições para disputarem a prova. A vida é um teste de coragem e provação. Aos fortes desafia, aos fracos dá a oportunidade. No plano pessoal, o mais simples, o trivial: se não tenho ética para agir, devo ter huymildade para reconhecer. Basta caminhar com fé, pois quem assim não faz, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé. A gente é o que é. Nada como um dia após o outro.
No frigir dos ovos restará a responsabilidade de arcar com o peso da insensatez, pois se um dia o bem ignorou, um malsinado destino curtirá. Com os olhos cheios de carinho ponha uma pitada de amor no seu coração. Tente, invente, faça um mundo diferente. A benção é um sinal de conversão. Bendito os pobres de espírito, deles será o reino do céu.
O pior sentimento, o mais pobre e o mais obtuso, é aquele que, em contrapartida, acredita estar realizando grande coisa ao fazer o caminho inverso. São os marujos às voltas com o cordame, um num navio rumo ao norte, o outro num navio rumo ao sul. Os dois navios se cruzam bem próximos, o suficiente para se cumprimentarem. Mas as águas estão revoltas e o céu tempestuoso. Os olhos dos marinheiros fustigados pelas rajadas das ondas e da chuva, passam ao largo e, demasiadamente entretidos, se privam da saudação cordial.
A última das emoções, a corrupção da consciência, é a que procura, muitas vezes por motivos não confessáveis, o argumento descabido para interromper o processo de alargamento dos sentidos próprios do talento, agarrando-se à postura indecente já detectada, para instituir como defeito o que se consagra como qualidade.
Sem dúvida que essa manifestação se expõe aos riscos, já que é um processo de exibição da derrota. Pelo dom e pela crença , o mundo se completa e se liberta. “Ei irmãos, vamos seguir com fé, tudo o que ensinou, o Homem de Nazaré”.
Argumente. O mundo será diferente.

- Buya
- Buya

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