Há um objeto estranho cruzando o céu curimbatá e não é o dirigível da Goodyear. Este passou e não causou polêmica. Ele, o estranho objeto, desafia o mais humilde dos observadores. Confunde até o mais dedicado estudante de aerodinâmica. Indigna até o mais descrente dos cidadãos. Provoca azia até em sonrisal. Verte lágrima em olho de crocodilo. Não é obra de gafanhoto, laranja ou anaconda, mas é dinheiro do povo. É dinheiro do contribuinte. É sagrado, e como sagrado deverá continuar sendo.Trata-se de valor pago em função de uma visita a organização federal, por ocasião de solenidade lá realizada. Seu cálculo foi baseado numa distância aproximada de 24 quilômetros, que significa a ida e volta ao local do evento.
A descoberta veio a público com a investigação realizada pelo Ministério Público, na pessoa do eminente Promotor de Justiça Dr José Carlos Gallucci Thomé. É certo que isto não nos surpreende, pois há muito vínhamos observando o possível descaso no trato do orçamento do Legislativo. No oceano revolto das investigações, eis que surgem as possíveis provas que até então não passavam de falácias.
É claro que não se trata de locupletação. Mas sabemos também que os edis não deveriam exporem seus cargos e suas imagens especialmente num momento em que o povo brasileiro está à deriva dos escândalos nacionais. Está na hora de darmos um basta nos vícios sociais.
O fato causou dúvidas atrozes. O país se encontra traumatizado com a banalização dos milhões que transitam Brasil afora em malas e bolsos sem fundos. Jamais poderíamos esperar que suspeitas estivessem navegando nas correntezas das águas mogianas. Agora percebemos porque se nega acesso a documentos públicos. A transparência é coisa só para inglês ver. É obra de imaginação fértil.
É bom dizer que a época do dito por não dito, não se toca mais no assunto, por nós o caso está encerrado, águas passadas não movem moinho, aquele que não pecou atire a primeira pedra, errar é humano, ninguém é infalível, faz parte de um passado que não queremos lembrar.
A sociedade exige respeito aos tributos pagos e não tolera mais jogos de conveniência Seja qual for o cargo, este deve ser exercido com rigorosa austeridade e acima de tudo com bom senso. Não valem tergiversações, bravatas nem desculpas esfarrapadas, tentando justificar o injustificável. Por enquanto, os nobres edis precisam apenas explicar ao povo e ao Ministério Público. Depois, bem depois, a história é outra. A César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Argumente. O mundo será diferente.