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Bar Brasil

A culpa acompanha o ser humano desde a sua criação.. Em cima dessa crença, de milênios atrás, o homem vem intimidando-se e postando-se de joelhos diante de todos os representantes de autoridade que encontrou pela vida. Autoridade, ou otoridade! Pose de majestade, cara de capacho, farinha do mesmo saco. .Confesso que não posso reclamar dos meus equívocos. Sejam eles particulares, profissionais ou cívicos. Os dois primeiros são exclusivamente de natureza pessoal. Arquei e arco com suas conseqüências sem direito a lamentação. Cuidado com o bridão.Dizem respeito, unicamente, a mim e a mais ninguém. Quando a cabeça não pensa o corpo sofre. Já o terceiro, não. Não posso ignorá-lo.
Este ato falho se refere à escolha de representantes do povo. Aos 43 anos de idade, votei pela primeira vez em um candidato a Presidente da República. Para ser exato, foi no ano de 1989. Com o meu voto e de mais de 35 milhões de brasileiros, foi eleito Fernando Collor de Melo. Saco roxo, pirado de consciência Narcisista e masoquista. Depois de um longo e tenebroso inverno, cometi um blefe imperdoável. Confundi Jesus com Genésio. Vejam só o que faz a abstinência: “Bar Brasil, um botequinho muito especial, gente finíssima é habitual, se aproveitando da situação. Bar Brasil, uma lufada de um vento atroz, meu Deus do Céu vê se roga por nós, pra não nos deixar cair em tentação”. Amém.
Arrogante, impetuoso, mentia mais que bula de remédio. Dava nó em pingo d´água .Cercou-se de assessores extraídos da fina flor do lodo. Aparecia na mídia como um messias jovem, belo, brilhantina, lutador de caratê, gabiru da high society e traçador de atrizes globais. Confiscou os depósitos em caderneta de poupança, desarrumou a economia, cortou o cafezinho dos funcionários e etc. Concomitantemente, nos bastidores a maracutaia corria solta. Por fora bela viola, por dentro pão bolorento. Um motorista veio e abriu o jogo. Impeachment, na criança. Sobrou apenas o trio elétrico, atrás do qual só não vai quem já morreu.
Este foi o maior ensinamento político do último século. Resgatou a auto-estima nacional. O cidadão aprendeu a fiscalizar. Como dizia o velho Ulysses, que jaz encantado no fundo do mar:”Não me interessa a prova do crime, mas o cheiro do crime”. Esta máxima gravou na história, uma geração que tinha honra e coragem, duas coisas que ofendem a delicada sensibilidade do “filombeta”.
Toda decisão causa dúvidas. Dúvidas atrozes. A verdade é coloquial. Vestes de cordeiro e alma de lobo. Animal racional que perdeu a credibilidade social.
Argumente. O mundo será diferente.

- Buya
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