Rei morto, rei posto, ano-velho, ano-novo, complexo de saudade e expectativa, afinal despedimo-nos do companheiro que se foi e nos preparamos para o aliado – 2005 - que nos acompanhará. Porque 2004 acabou e começa 2005, soltamos foguetes, trocamos presentes, dançamos em réveillons e brindamos à passagem do ano, pois como é dito e repetido, “a esperança é a última que morre”. Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou, nesses novos dias as alegrias serão de todos, é só querer. Todos os nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou.
A alma é obstinada, não desiste dos seus planos e não há desengano que a enforque. Aliás, a função das decepções não é assassinar probabilidades, mas desviá-las para outros caminhos e outras estradas. Até na hora da morte o homem ainda espera e deseja a eternidade e a paz, ou, quando o coração é por demais humilde, sofrido e não acredita que a glória tenha sido feita para si, almeja pelo menos a tranqüilidade suprema do sono eterno e do esquecimento.
Sim, a esperança é a ultima que morre. E, por isso mesmo, a cada ano que nasce, a gente se renova, muda de pena como as aves ou muda o couro como a cobra. Tal qual nos répteis, ficam por baixo as manchas, mas a pele é transformada e dentro dela a criatura se sente reformada. E, o lógico é na verdade essa remodelação, essa reciclagem. O ilógico é o desgaste, o peso dos anos, a curva em declínio.
Ano-novo deve inspirar vida realmente canibalizada. Para que servem as lembranças nem sempre felizes e as cicatrizes doloridas? Segundo crença antiga, a primeira coisa que se faz na manhã do ano-novo, é o que se haverá de fazer durante todo o ano que começa. Por isso, quando planejamos uma cerimônia de passagem de Administração, pacífica, ordeira e cordial, é porque queremos o entendimento, a convivência harmoniosa, um futuro promissor e a benção de Nosso Senhor do Bom Jesus dos Aflitos.
Buscamos a felicidade geral, o bem estar comum, a força divina a nos orientar e apontar o caminho certo. Tranqüilidade para enfrentarmos os percalços, as intolerâncias, o choro das viúvas e o desafio da missão. Não queremos filosofias, dogmas, credo, nada a preço de saldo. Queremos o produto a custo real. Nada de pires na mão.
A confiança abre-se para o futuro como um valor existencial, tomando por base os fatos de ontem, a partir dos quais nossa razão se eleva a um quadro variado de perspectivas, conforme a natureza daquilo que recebemos. É esse o estado de espírito neste momento de transição para uma nova visão administrativa. Tudo, no fim, tem que dar certo. Se não der é porque não chegou o fim.
A esperança nunca é uma emoção certa e tranqüila, desacompanhada de qualquer apreensão, pois com ela se põe o cenário conjectural do provável, do possível e do plausível. No fundo, alimentar expectação é sinal de que cremos em algum sentido da história, e que este não é mera questão de sorte ou de acaso. Ante um cenário dessa espécie e forma, reafirmamos a proposta de um plano empenhado em sair da inércia e partir para a erradicação definitiva da patologia que nos envergonha e humilha perante os briosos conterrâneos. Feliz 2005, para todos.
Argumente. O mundo será diferente.