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Festa no céu

O céu estava encantado, tudo azul. Cada ato tinha o seu apogeu. Anjos, arcanjos, querubins, serafins, reunidos para receberem a Poderosa. Boca-livre.E o que é boca-livre senão uma iniciativa para driblar os trouxas e exibir os gozos da rapina. O baixo clero, esfuziante, pavoneia o par de vasos imponente e cheio de não-me-toque. De repente, o aviso: a Soberana está chegando. As macacas gritam mais que galinha botando ovo. Ecoam gritinhos de arapongas no cio. O Bixin libera o picadeiro. Dona Flor e suas marocas estão exuberantes. A princesa de chanchada está um arraso. Executa seu papel com perfeição: a Bruxa de Brechó.
De repente, o acidente. Uma conviva cai. Fratura exposta. Junto despencam dívidas alocadas no purgatório. A égua de charrete tem um chilique. As enganadas ganham ares de heroínas. Sinal dos tempos. Falsidade explícita. Diz, o primeiro para o segundo: ”A culpa é do terceiro”. O segundo responde: “A culpa é do quarto”. Mas como?, argumenta o primeiro, “se não existe o quarto? Somos apenas três!”. “Então o culpado é o terceiro, que diz não ter culpa alguma.” Bem, se é assim, vamos discutir os anjos e os desarranjos.
Protagonistas se atracam. Parece briga de quengas. Surge um grande sinal na atmosfera. Uma nuvem de pétalas de rosas. Palmas à Poderosa. Mas, e o mico? A fratura, o culpado. Como despistar. Muda-se o acesso ao palco. A culpa não sendo de um nem de outro, pode ser de qualquer um. Sempre haverá um culpado, embora nem sempre haja culpa. O diálogo continua, quando vindo da treva, surge o quarto, que, clara e evidentemente, tinha culpa de algo. Foi logo se defendendo e dizia ser inocente.
O primeiro e o segundo, calam-se. O pior tinha passado. Revisaram conceitos, que nem sequer haviam pensado. Antes que a confusa se formasse, convocam uma Comissão, a fim de apurar: se havia culpa; se houvesse, de quem seria. Tudo bem. Quando não se quer resolver nada nomeia-se uma Comissão. Comissão é sinônimo de boneca de trapo. Só serve como cala-boca.
Conclusão: o Bixin aperreado não seria capitulado nem Dona Flor chamaria a égua de charrete. Como égua não se transforma em bode, não haveria bode expiatório. Bode não come banana, porém a boneca é toda solícita. Tropa em polvorosa. História que é história registra tudo, mesmo que a macacada seja de auditório. Mas, eis que surge uma mulher segurando uma balança, com os olhos vendados. E todos tremem. Com culpa ou sem culpa, por isso ou aquilo. Cheiro de mutreta. A mutreta coletiva condena coletivamente. Então, o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto, exclamam: Socorro, a dona Justa vem aí!!!
Argumente. O mundo será diferente.

- Buya
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