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Quem não tem canoa, cai n´água

De todas as frases que se ouve por aí, a pior delas é “eu sou assim, o que posso fazer”. É insuportável tolerar alguém que se fecha em um artifício verbal, para justificar atitudes estranhas e convenientes. Quando não é para dissimular a veemência autoritária, é para navegar no mundo da boçalidade. Nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa sempre passará, a vida vem em ondas, como um mar.
Reflete a simbologia da coisa derradeira, da pá de cal sobre uma causa, do cuspe no prato em que comeu. Esforço para vencer a deficiência, mudar a maneira de ser, nem pensar. Antes que pareça que estamos no mato sem cachorro, avisamos que se trata de uma postura de plena consciência.
As únicas camadas que se acomodam, são aquelas que cobrirão nosso esqueleto ao fim do ciclo evolutivo. As outras, ou se movimentam, ou sufocam os que estão debaixo delas.Portanto, a mudança brusca no relacionamento, não é sinal de inteligência. Este vernáculo derivado do latim intelligere, significa “ler dentro”. Os sentidos e a imaginação aprendem apenas os acidentes externos, ao passo que a inteligência, e só ela, penetra até à essência do pensamento.”A polícia vem, que vem brava, quem não tem canoa, cai n’água”.
O ofício do sábio é colocar ordem nas coisas. Ora, todos aqueles que têm o mister de ordená-las, devem esgotar desta meta a regra do seu significado. É o domínio sobre os impulsos do espírito. Diz a sabedoria milenar que a inteligência dos anjos supera de muito a dos homens e, em proporção maior ainda que a inteligência do filósofo mais profundo que se sobrepõe a do ignorante mais rude.
Dentro do contexto humano é de bom alvitre o esforço para ser doce e feliz. Violência só leva ao hospital e ninguém pode curtir a vida se estiver enfermo. Se não dá para mudar o mundo, mudemos nós. Talvez seja complicado falar em correção, quando se passa da idade de sonhar. Porém, ninguém sabe qual o tempo em que, conscientemente, o homem decide colocar os pés no chão e dar adeus às ilusões e fantasias. Os mortos devem conhecer bem esse momento. Ele está gravado em seus túmulos.
Toda palavra nos faz pensar. De nossa parte pensamos nos riscos e nos rabiscos. É possível que amanhã alguém tenha que ensinar ao ator principal o seu novo papel, bastante diferente do atual. Convém não esquecer a máxima acaciana: a vitória virá pelo avesso da maldição quando estréia marcada pelo fracasso de erros primários. E é por aí que se deve começar a enxergar por entre a bruma que encobre as contradições e os focos que cegam a visão. Não é fácil, mas é questão de querer.
Argumente. O mundo será diferente.

- Buya
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