Katinguá – urgente – Alô, alô aposentados, desempregados e incomodados, chegou Buya, o homem-bomba, terror da facção Al-Jibeira. Lança bomba e espalha estilhaços no barco furado da orgia dos seguidores incompetentes de Maquiavel.
- Bixin, não vou relatar qüiproquó em plataforma que um dia serviu para embarque e desembarque. Não falarei de luta livre a céu aberto com sol a pino animada pelo som esperto de música de dor de cotovelo; do golpe ultrapassado da venda de bilhete vencido; da distribuição a granel de ilusões perdidas.
- Buya, então o que você vai escrever? Enredo? Isso é de meter medo.
- Bixin, na mosca! Fui limitado por Deus com fraca qualidade de voz para ser um Frank Sinatra, com ausência de habilidade futebolística para ser um Pelé e com a falta de ganância desmedida para ser um político descompromissado. Como Deus não dá nem nega tudo a uma pessoa só, a mim reservou uma massa cinzenta funcionando como moto-contínuo.
- Buya, de tudo que você não tem, não falta nada.
- Bixin, milhares relegados a cidadãos de segunda classe, continuam esperando sentados por que em pé cansa. O único privilégio é levarem um sonoro “sem”, ecoando dos alto-falantes de televisores de última geração. Sem vaga pra exames vagos, sem médico pra medicar, sem remédios pra remediar. Pra limpar triex, pra lavar triex.
- Buya, quando você acende uma luz aqui dá um choque geral lá no palácio.
- Bixin, entre, sente-se e fique a vontade. Às vezes, sinto incompreensão, por parte de alguns, de entender a necessidade pedagógica do incentivo à dignidade, à honestidade e à decência. Como homem simples, minha visão é mais simplória ainda. Quem rechaça bons costumes, bons costumes não pratica. Se Cristo tiver que voltar, que volte armado.
- Buya, onde passa o Buya, passa uma buyada.
- Argumente. O mundo será diferente.